O Pão

Está na hora de ir à praça, pelo menos para mim que preguiço aos Sábados. Mas o verdadeiro, o genuíno entendido já estaria de regresso com os sacos cheios dos mais frescos e mais saborosos. Aqui vêm eles rua a baixo com o som dos plástico a roçar nas pernas a entrar pela minha janela, completando este escrevinhar com uma simpática banda sonora.
Ora ouçam:

…”Bom dia vizinho, como tem passado? Belos marmelos aí trás. Eu já a fiz na semana passada. Hei-de-lhe levar um frasco para provar.”…

Há lá na praça perfumes especiais, odores telúricos, lembranças da criação para quem as trás no rol das saudades. Hipermercados? Só para emergências e geralmente para tristes e caros remedeios.

Venho de uma terra de boas praças, bem abastecidas por dedicados saloios. O pão era (e é) o ex-libris. Um fabuloso achado de Achada – Mafra. Um pão com raizes no palato de quem o come, bem cuidado por uma empresa familiar.
Confesso, agora que me mudei para a cidade, e depois de 7 ou 8 tentativas, que ainda não arranjei um pão à altura. Nem aqui na dinâmica praça de Arroios. Vai escasseando a esperança.
Enfim. Deixa-me cá ir telefonar…

“Ó mãe, reserva-me aí um de Mafra! E umas bolas de mistura.”