E se… – Reciclagem – Opinião Vi

Já foi publicada a 1ª parte * Já foi publicada a 2ª parte ** Já foi publicada a 3ª parte *** Já foi publicada a 4ª parte **** Já foi publicada a 5ª parte ***** Já foi publicada a 6ª parte ****** Já foi publicada a 7ª parte ******* Já foi publicada a 8ª parte ******** O que está em questão? A reutilização de embalagens é solução? Pagar a quem produz o lixo para o separar é exequível? Como rentabilizar o processo de reciclagem? Como aumentar os índices de lixo reciclado? O que é reciclável? O que fazer com o que não se recicla? Que experiência de reciclagem há noutros países? Da discussão entre os dois interlocutores que vos vou apresentar fiquei a saber mais um bocadinho sobre estes problemas. É isso que quero aqui partilhar. Estejam à vontade para entrar na discussão. Opinião de Henrique Agostinho (resposta a João Miguel Vaz ): "sugiro-lhe que se iniciem campanhas porta-a-porta de sensibilização das pessoas, que lhes seja explicado o porquê da necessidade de reciclar… Efectivamente, a reciclagem só funciona quando houver um prémio real para quem recicla. Quem não separa os resíduos deve ser penalizado, talvez monetariamente." Temos aqui duas ideias importantes, e algumas nuances em cada uma delas: A sensibilização – Há semanas vi num estudo que 80% dos portugueses afirmavam separar. Eram notícias excelentes, não fosse o problema de as ditas embalagens não aparecerem no ecoponto. Olhando um pouco com mais atenção para o estudo percebe-se que a resposta foi induzida, ou seja, perguntava-se em primeiro lugar se a pessoa era amiga do ambiente e logo depois se separava, só uns 20% de ignorantes é que não perceberam a indirecta. Esta história interessa para explicar que 80% das pessoas estão sensibilizadas, sensibilizadas ao ponto de mentirem sobre o assunto. Alguma vez mentem quando se trata de ir votar? Não, a abstenção não as envergonha, mas a reciclagem sim. Isso é uma vitória, é um código postal para a coisa (meio caminho andado). A reciclagem é vista como um bem para a maior parte das pessoas e essas mesmas pessoas acham que o deviam fazer. Mas então, se estão sensibilizados, porque raio não o fazem? Porque é muito difícil explicar-lhes o "porquê da necessidade de reciclar". Porque o ambiente e as gerações futuras são muito distantes, pouco práticos e as pessoas quando confrontadas com a preservação do ambiente encolhem os ombros como se lhes estivéssemos a pedir para tapar o buraco do ozono. De que me serve então os contactos porta a porta, ou os contactos via media, se eu tenho é um problema na mensagem. Que raio se pode dizer às pessoas para elas pensarem "ih poizé vou mesmo começar a separar". É um problema parecido com os avisos nos maços e tabaco. A informação está lá, mas alguém deixa o vício por causa disso? Do meu ponto de vista, a coisa passa pela vergonha/orgulho/pressão social. Estou convencido que a informação chave para converter estes sensibilizados não-praticantes é "os seus filhos terão orgulho de si se você separar". A importância do julgamento dos filhos é capaz de ser um bom motor para a coisa. Mas não basta falar, porta-a-porta, nos media, na imprensa, na net. Não é só a mensagem. Tal como cuspir no chão passou de moda porque o escarrador é olhado de lado, também o não separador terá de o ser. O sensibilizado não-praticante terá de ser olhado de lado por aqueles que separam. – Como é que se faz com que os que separam olhem de soslaio os que não separam? A retribuição – O sistema ideal, de sonho, funcionaria mais ou menos assim: O lixo indiferenciado era pago ao quilo pelo consumidor e a matéria prima separada para reciclar seria grátis. É este ideal que me tenta, que me orienta. Funcionaria de certeza, se não funcionasse subia-se o preço do indiferenciado. O problema é implementar. Como é que se cobra dinheiro "ao caixote do lixo"? Como é que se evita que, em vez de separar, as pessoas não comecem a despejar o lixo às escondidas? Fiscalização? Não funciona nem para o trânsito, que é só na estrada! Como é que se fiscaliza? Infelizmente não funciona, mas o mais grave é que o sistema é perverso. O lixo indiferenciado é pago pelo cidadão junto com os esgotos na conta da água. Há uma dose de justiça nesta associação, quem usa muita água faz muito esgoto, quem faz muito esgoto fará bastante lixo. Mas não tem minimamente em conta a separação. Eu que separo, faço muito menos lixo que o meu vizinho que não separa, e sou bem capaz de pagar mais pelo meu lixo do que ele. Podíamos fazer a coisa pelo outro lado, pelo prémio. Separe e receba o dinheiro equivalente. Mas infelizmente esse dinheiro resume-se a uns dois contos por ano. Patético. Quem é que se vai dar ao trabalho de separar por dois contitos e ao fim de um ano? É uma solução que funciona no Brasil. Uma vez que ainda não encontrei um caminho para o sistema ideal, estou apostado noutras alternativas, na simplificação do processo. Se o que pedimos às pessoas é que nos dêem um tempo e que separem, por um bem comum e futuro, ao menos que haja condições para o receber. Certo, os baldes e os sacos outra vez. Mas há mais. Coisas que me parecem boas ideias apesar de não saber ainda se são aplicáveis: – uma linha verde ecoponto? Imaginam quantas vezes os ecopontos estão cheios e ninguém recolhe? São capazes de imaginar mal, é aborrecido mas a maior parte das vezes o ecopontos estão mesmo vazios só que houve um energúmeno que não se deu ao trabalho de levantar os braços para meter as coisas lá dentro e criou o esterco comum. Da próxima vez que virem um ecoponto a transbordar, olhem lá para dentro e certifiquem-se, dá vontade de esganar quem põe as coisas de fora. Mas uma linha verde permitiria ao cidadão queixar-se, falar, dizer, recomendar. E isso era bom? para o cidadão que separa de certeza, mas para o que não separa… – um serviço, a pedido, para recolher grandes quantidades? Para lojas, para escritórios, etc. Desde que haja espaço suficiente para guardar as "grandes quantidade", é muito papel, de escrita mais do que de embalagem, mas não faz mal. E já funciona, espontaneamente, em muitas empresas. E isso tamb&ea
cute;m era bom? Sim, no escritório, mas lá porque no trabalho se separa alguém o fará em casa? – Recolha porta-a-porta? Este é um tópico tramado, há quem defenda que não tem lógica recolher o lixo porta a porta e as embalagens usadas via contentor. Do outro lado há quem diga que as embalagens recolhidas porta-a-porta também não aparecem separadas e esse método apenas encarece o processo sem resultados visíveis. Simpatizo com a primeira opção, mas tenho do outro lado informações concretas que a "porta-a-porta" não tem vantagens em zonas de elevada densidade (os tão vulgares prédios), porque o efeito de responsabilização se perde num condomínio. Será a solução deixar de recolher o lixo porta-a-porta? Em resumo, é obvio que tenho mais perguntas que respostas, se tivesse as respostas não estava a escrever, estava a pô-las na rua. Mas se calhar ajudava saber: que dificuldades é que os consumidores enfrentam quando vão separar? Respostas precisam-se Saudações verdes Henrique