Adufe 5.0

As armas do meu adufe não têm signo nem fronteira
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As armas do meu Adufe,
não têm signo nem fronteira.

Bem-vindo ao Adufe 5.0


Archive for August, 2003


Vou de férias…

Regresso em Setembro.
Hei-de trazer o som de um adufe pesaroso lá das terras da Senhora do Almortão. Mas ainda vou com a esperança de ver verdejante o último concelho do Distrito de Castelo Branco que não foi fortemente manchado de cinzas.

Deixo-vos mais um texto de um proto-blogue. Algo que escrevi de supetão há 5 ou 6 anos para o DN Jovem. Um resumo de uma pseudo emissão de uma TSF de há 500 anos.
Encerro por agora uma espécie de ciclo que me tem acompanhado (estranhamente) nas últimas semanas. Um ciclo sob o signo do judaísmo. Hei-de passar por terras de judeus nestas férias.

Subscrevo-me,
Um herege respeitador.
Fiquem bem e bem hajam.

PROGROM

PROGROM: Para mais detalhes sobre o texto ali em baixo dê um saltinho aqui. Um site de judeus do Brasil.

Excerto da emissão radiofónica de 8 de Abril de 1516, da Portugal FM Real Emissora Nacional

Memórias de um proto-blogue VII

Excerto da emissão radiofónica de 8 de Abril de 1516, da Portugal FM Real Emissora Nacional

«A Portugal FM apresenta:
Novos Mundos
Espaço de informação e debate com Gonçalo Cortez.

Gonçalo Cortez (GC): Muito boa tarde senhores ouvintes. Inicia-se mais uma edição de Novos Mundos, desta feita em directo da Ribeira de Lisboa. À nossa frente está fundeada e pronta para zarpar a primeira frota portuguesa a demandar o caminho da India neste ano da graça de 1516. A azáfama visível na beira rio é bem característica dos últimos preparativos para aquela que se espera mais uma proveitosa empresa para o reino e para o distinto capitão, sendo este, se não estou falho de memória, D. Lopo de Orgens. Como pano de fundo para o nosso espaço de entrevista temos o grandioso Paço da Ribeira onde a corte prepara uma festa de Boa Fortuna em homenagem aos marinheiros, prestada na pessoa do seu capitão. Ainda há poucos instante tivemos oportunidade de saudar El Rei e sua esplendorosa comitiva, quando este terminou mais um dos seus tradicionais passeios pela capital. Saiba-se que D. Manuel se mostrou em sedosos panos de tom azul marinho pontuados com pequenos adornos dourados e cintilantes. Sua majestade revelou um sorriso constante e apresentava um semblante calmo e um olhar confiante. Voltaremos dentro de momentos para vos apresentar os entrevistados de hoje. Fique connosco, somos a Portugal FM.
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O cão do meu vizinho

Memórias de um Proto-Blogue VI
O cão do meu vizinho

Lá esta ele encostado à sombra do muro do quintal, dormitando sob o calor da primeira tarde de verão. De há um par de anos para cá a vida deste cão castanho, tamanho médio em medida de cão, resume-se a uma rígida rotina.
Gastam-lhe os dias encurralando-o num pequeno espaço do quintal: uma parte elevada onde deveria ser o estendedal de roupa, aí coisa para 12 metros por metro e meio.
A um dos cantos, encostada ao muro, tem a sua barraca improvisada de dois andares: tijolos para as paredes, placa de contraplacado entre pisos e telhado de tábuas e alcatifa velha.
O muro em três lados do rectângulo e o abismo de mais de dois metros do outro, bem como, um resto de estrado de cama colocado ao cimo da escadaria que dá acesso a esta moradia do cão, impedem o animal de alargar horizontes.

Acorda bem cedo, dá uns pinotes para espreguiçar e aclara o latido, cada vez mais raramente. Depois, anima-se com alguma vida que surge na parte de baixo do quintal, aninha-se de olhos e orelhas atentos e assim fica até chegarem os restos do almoço. Nessa altura, mais uma sessão de pinotes e cabriolas se não for dia de estar encharcado pela chuva que entra por todos os cantos da sua casota sem portado.

Uma boa tarde para o animal deve ser bastante parecida com esta, esticado à sombra fazendo a sesta; falta talvez um gato.
Ocasionalmente, uma pequena reentrância do muro é utilizada pelos gatos das redondezas para atravessarem este quintal. O cão têm então a emoção da semana ladrando, saltanto, mas apenas cheirando o gato ligeiro que já há muito conhece as limitações dos pulos do cão. Em regra, ido o gato, segue-se sessão de latidos e perseguições ao próprio rabo, naquilo que parece ser uma imensa mistura de emoções, entre a ansiedade, a frustração e uma pontinha de alegria pelo breve sabor a vida. Certos dias, após a aparição do gato, há ainda mijadelas pelos cantos do rectângulo e cagadelas apressadas no extremo oposto à casota.

Ao sábado, ou ao domingo, é tempo de mangueirada à propriedade e ao seu residente; com sorte é verão, está calor e o dono vem com uma rara vontade de dar trela aos graçejos do bicho.

Após os restos do jantar o cão ruma à casota, 1º andar, e por ali fica com o focinho entre as patas, talvez à espera do embalo de uma lua nascente, talvez lembrando o pequeno companheiro, padrasto e amigo que morreu aproveitando-se da misericordiosa eutanásia realizada por um veterinário que lhe diagnosticou um cancro em fase terminal, há coisa de dois anos.
A casota está mais vazia, já não há guerras brincalhonas no rectângulo onde o cão grande, mais novo, se vencia perante o empertigado meia leca que o acolhera com pouco custo na propriedade. Já não há cenas gay quando o vento muda de direcção. Já não há desgarradas barulhentas. Restam os gatos, às vezes um pardal distraido, ou um pedaço de osso mais abaulado e saltitante.
Às vezes, o cão fica-se com se num pedestal de rabo e focinho bem esticados, orelhas em frente e olhos espectantes, mas o que sai pela porta do quintal raras vezes confirma a espectativa e o focinho volta ao meio das patas. Aos olhos regressa a tristeza e a língua perde-se numa pata dianteira, no enorme trambolho que lhe cresce rapidamente do corpo.
Tanto que eu adivinho desta vida de cão.

19 de Junho de 1998

Hummm…

Para onde irão tão apressados de férias… O semblante é suspeito… E aquele cabelo cor de laranja… Hummm.

Vamos de Férias Milu?

Quem quer murros no estômago?

TSF
Quem quer murros no estômago?

Outro apontamento polémico e instrutivo do Guerra e Pas publicado há poucas horas…(aqui) Não me tomem como arrogante ao estar para aqui só a dar dicas. É boa música e eu gosto de sugerir bons tocadores de Adufe.
A seguir atentamente.

Quanto ao Abrupto, se bem o entendi, ao recuperar o diagnóstico e as perspectivas enunciadas num artigo de 2000, denuncia, na conjuntura actual, o governo como co-responsável pela extinção da TSF enquanto rádio noticiosa. Fica um excerto e a ligação para o texto integral (que já quase todos terão lido mas enfim). Termino no final com um breve considerando…

“(…)«Já ninguém é suficientemente ingénuo para pensar que a interferência do governo na comunicação social se faz por telefonemas directos dos ministros, embora ainda os haja. As formas são mais sofisticadas uma das quais são as “reestruturações” em nome da eficácia dos “negócios” que condicionam carreiras, postos, compromissos e o destino de jornais e rádios. Também aí há alguém a premiar quem se porta bem e quem se porta mal e esse alguém está no governo, ou depende do governo.»

Este foi o contexto da compra da Lusomundo pela PT e as consequências previsíveis para quem pensasse um pouco. Acrescento apenas que de há muito penso que um governo, qualquer governo, seja socialista ou social-democrata, não deve controlar órgãos de comunicação social, quer directa, quer indirectamente e que tendo meios para os controlar , usa-os sempre. É válido para a RTP, para a Lusa, para todo o sistema comunicacional ligado a empresas públicas.

Se hoje se vê, no fim da TSF como emissora noticiosa, um manobra grave contra o pluralismo informativo, convém ir atrás, à raiz do problema.”

Aparentemente – será que algum dia deixaremos de necessitar deste advérbio? – não será fácil recriar uma nova TSF se houver essa necessidade. Mas esta é uma batalha como já aqui disse. A guerra pelo pluralismo informativo segue também aqui, na blogoesfera…
Este é um dos casos em que dava jeito que a racionalidade económica restringida a uma empresa prevalecesse sobre outros pardos valores.

Como se ganha e perde credibilidade nos média e qual a sua importância para o sucesso /sobrevivência de um orgão de comunicação social concreto?

Bob Hope citado na The Economist de 2 de Agosto

Asked where he wished to be buried, he said “Surprise me!”

Na mosca!! (TSF)

Do Guerra e Pas:

A única solução, a quadratura do círculo, passa por uma reformulação da política comercial da TSF, assumindo perante as agências e os anunciantes que aquele é um Media Vintage, um media onde só alguns podem anunciar e têm de pagar um valor premium por isso. Para tal, a administração tem de acreditar no excelente produto que tem, arregaçar as mangas e bater com o punho na mesa, nas suas reuniões com o mercado. Isso demora tempo, mas estou convencido que é possível.

Assino por baixo…
P.S.: Excelente descrição do mercado da publicidade que em tempos conheci com algum detalhe aqui, no Guerra e Pas.

Strange Angels (Laurie Anderson)

They say that heaven is like TV
A perfect little world
that doesn’t really need you
And everything there
is made of light
And the days keep going by
Here they come Here they come
Here they come.

Well it was one of those days larger than life
When your friends came to dinner
and they stayed the night
And then they cleaned out the refrigerator –
They ate everything in sight
And then they stayed up in the living room
And they cried all night

Strange angels – singing just for me
Old stories – they’re haunting me
This is nothing
like I thought it would be.

Well I was out in my four door
with the top down.
And I looked up and there they were:
Millions of tiny teardrops
just sort of hanging there
And I didn’t know whether to laugh or cry
And I said to myself:
What next big sky?

Strange angels – singing just for me
Their spare change falls on top of me
Rain falling Falling all over me
All over me
Strange angels – singing just for me
Old Stories – they’re haunting me
Big changes are coming
Here they come
Here they come.