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As Crónicas e os Contos

Um selo singular (act.)

Quando era pequeno havia um livro lá em casa que guardava como um tesouro. Era grande e estreito e tinha uma capa colorida de inúmeras fotografias dispostas como um caleidoscópio. Não era um livro de bonecos como o do Mickey, Asterix ou Tin tin. Era “A História de Portugal”. Gostava de sentir aquela capa rija e suave e passear o livro pela casa.

O livro tinha lá por dentro muitas janelas pequenas de onde se viam longínquos lugares e estranhos artefactos… Castelos, igrejas, figuras de reis e rainhas, instrumentos estranhos, navios, combóios, aviões…

Uma dessas janelas era bem diferente, muito discreta, quase não se via. Era um selo pequeno cheio de letras ainda mais pequenas que formavam quadradinhos bem alinhados. “Hino Nacional” diziam umas letras mais escuras que surgiam bem no cimo daquele selo.
Pai, o que é o Hino Nacional? E como se canta?

O selo já eu sabia para que servia: fazia chegar aos avós na terra e aos primos no Luxemburgo as cartas que escrevíamos e púnhamos no velho marco de ferro vermelho que guardava a esquina do mercado. Mas os selos que conhecia tinham desenhos de passarinhos, bonecos com gente vestida de várias modas… Este levava uma cantiga.
E estava impresso no livro… Não tinha o preço escrito em lado nenhum. Era pequeno como um selo, tinha as bordas recortadas como um selo, no entanto, não podia pô-lo numa carta.
Era bonita a canção: Heróis do mar nobre povo…

Saudai o sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte. Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu !
Brade a Europa à Terra inteira:
Portugal não pereceu !
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d’amor,
E o teu braço vencedor
Deu Mundos novos ao Mundo !

Às armas, às armas !
Sobre a terra sobre o mar.
Às armas, às armas !
Pela Pátria lutar !
Contra os canhões marchar, marchar !

Poesia de H. Lopes de Mendonça
Música de Alfredo Keil

Versos do poema original que não foram incluidos no Hino Nacional PortuguêsFonte: http://www.terravista.pt/meiapraia/1222/hino.html