Habemos pápa!

É impressão minha ou esta blogo-esfera altamente politizada tem algum horror em discutir pessoas?

Tirando o miserável saco de porrada que é o Senhor Bush e umas muito pontuais referências geralmente jocosas a um ou outro ministro ou ex-ministro raras vezes se “pegaâ€? no discurso de um político para partir daí para a conversa. É mais fácil discorrer sobre teoria. Acho – perdoem-me se me engano – que até já li desculpas – seria do Sr. Pedro Mexia ?– sobre a inaptidão técnica para discutir medidas concretas de política executiva e, por oposição, o reconhecimento implícito de capacidades teóricas e teorizante dignas de nota… Parece-me um imenso disparate imaginar que as duas coisas sejam separáveis…e admitir possibilidades de ter sucesso numa reconhecendo limitações noutra. Pela parte que me toca vou correndo o risco do ridículo com estas linhas, mas imagino-o equilibrado.

Felizmente vão aparecendo seres humanos que nos arrebatam. Fora do circulo íntimo são geralmente os escritores, os músicos, os artistas que mais costumam granjear essa sensação no seu semelhante. Em boa medida essa capacidade ou a ausência dela distinguem entre bons e maus… Mas na política, convenhamos que é raro, muito raro falar-se em arrebatamento. Bom, falo por mim, como é obvio.
Mas este senhor que ali vem no boneco – caso o boneca desapareça, falo de António Vitorino – e a quem muitos já conferiram uma aura sebastianista, tem de facto a capacidade de me cativar para o centro daquilo que faz: a política.
Em uma hora de conversa afiada com Maria João Avilez – ah! como ajuda saber fazer perguntas e saber ouvir as respostas numa entrevista! – o comissário europeu discorreu de forma cristalina sobre a convenção, sobre o posicionamento estratégico de Portugal, sobre a orientação política do seu comissariado nas áreas da emigração e organização interna da União. Falou ainda de uma estranha e rara forma de estar na política. E não falou do que não devia falar…
Um político (e uma pessoa) que se consegue levar a sério com humor vai passar a ser, para mim, uma pessoa com uns pontinhos de avanço na escala de curiosidade e interesse. primeiro indicador de alerta: podemos ter aqui uma pessoas interessante.
Pela parte que me toca, estou ávido de pessoas inteligente, um bocadinho deslocadas para a esquerda política, que consiga combinar ideais com pragmatismo. Inteligência com acção. Conversa séria com discurso cativante e muito pouco demagogo… Orelhas alerta para este senhor!

A propósito de um assunto que aqui já trouxe ao blog – o tal do posicionamento estratégico de Portugal na sua política de alianças e amizades disse – António Vitorino – algo que entra pelos olhos dentro: chega de discutir se devemos ser mais atlantistas ou europeistas. Entra pelos olhos mas às vezes não o vemos… Continuou incentivando-nos a assumir aquilo que somos: uma síntese. Reconheçamos essa como uma das nossas maiores virtudes e singularidades à escala global… E saibamos cultivá-la.
Por fim destaco outra evidência que retive da entrevista, uma evidêcnia que apesar de tudo poucas vezes me parece corrente na prática do nosso dia-a-dia. Quando temos escolha, e todos temos de ir fazendo algumas, o prazer não deve ser ignorado na contabilidade dos prós e contras, “até” neste tão sérios assuntos da política e da coisa pública.
E com prazer nesta comprometedoras linhas me despeço vos desejando um belo dia!

Página do Comissário António Vitorino, aqui.